terça-feira, 16 de outubro de 2018

São Paulo, cidade especial


Condephaat paulista chega aos 50 anos e quer integração com cidadãos
Publicado em 15/10/2018 - 19:47
Por Camila Maciel – Repórter da Agência Brasil São Paulo





Estímulos à criação de conselhos municipais de patrimônio e incentivos financeiros a proprietários de prédio tombados estão entre os desafios da política de preservação histórico-patrimonial no estado de São Paulo. A avaliação é do presidente do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat),Carlos Augusto Mattei Faggi. O Condephaat completa 50 anos neste mês.

Vinculado à Secretaria da Cultura estadual, o conselho paulista foi o segundo criado no país, pela Lei estadual 10.247, de 1968. Faggin propõe a ampliação das estruturas municipais como forma de aproximar os conselhos e a população.

“Teríamos uma rede de patrimônio que transforma cada cidadão em um inventariante. Ele entra no site, manda fotos, fala que conhece a história daquele local há duas gerações e explica porque acha que tem importância. Isso faz com que se acionem técnicos para verificar se a informação é correta, se esse bem tem realmente valor histórico, arquitetônico, artístico”, explicou. O estado tem atualmente 70 cidades com conselhos municipais, num total de 645 municípios.

Entre os desafios do Condephaat, Faggin citou a manutenção das estruturas tombadas. Os proprietários são os responsáveis pela conservação do patrimônio, mas alguns não têm condição de pagar a conta, disse Faggin. "O que falta para fechar esse círculo é fazer com que o proprietário de um determinado bem imóvel tenha favorecimento e benesses econômico-financeiras.”

Faggin propõs ainda isenção do Imposto Predial e Territorial Urbana (IPTU) e acesso a financiamento sem juros para fins de restauro. Ele destacou, no entanto, que tais incentivos não são da competência do conselho, que tem se empenhado para que sejam encontradas soluções.

História
Em 50 anos de atuação, o Condephaat tem mais de 500 bens tombados no estado. São bens móveis, imóveis, edificações, monumentos, bairros, núcleos históricos, áreas naturais e bens imateriais, dentre outros.

De acordo com Faggin, um dos bens que geraram mais polêmica foi o tombamento da Serra do Mar em 1985. Do conjunto montanhoso que se estende ao longo da costa brasileira, do Espírito Santo ao Sul de Santa Catarina, o conselho reconheceu como patrimônio uma área de 386 mil hectares.

Nesse período, houve tombamentos emblemáticos, que significaram uma atitude do Condephaat em relação ao patrimônio cultural do estado. “Marcamos uma posição, assumida por outros conselhos e até respeitada pelo Iphan [Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional], de tombar não apenas imóveis pontuais, mas áreas maiores do que um imóvel, de forma a preservar áreas em benefício dos imóveis de valor histórico. Isso aconteceu também com núcleos urbanos.” 

Estão na lista dos bens materiais e imateriais tombados em São Paulo o Terreiro Axé Ilê Obá, em 1990, os bairros Jardins (1986) e Pacaembu (1991) e o registro do Samba Paulista (2017).

Neste ano, o virado à paulista ganhou status de patrimônio imaterial. O prato, que é tradicionalmente servido às segundas-feiras em São Paulo, é montado com feijão, farinha, carne-seca, bisteca e torresmo. Segundo a historiografia, a origem do prato remonta ao século 17, época do Brasil Colônia, e era uma forma de alimentação nas monções e bandeiras.
Edição: Nádia Franco




terça-feira, 25 de setembro de 2018

Humanizar São Paulo


Tempo de semáforo para pedestres aumenta em 12 vias de São Paulo
Publicado em 24/09/2018 - 20:00
Por Camila Maciel – Repórter da Agência Brasil São Paulo 







O tempo de semáforo para pedestre será aumentado em cerca de 20% em 12 endereços da capital paulista. A medida foi anunciada hoje (24) pelo governo municipal e faz parte das ações da Semana da Mobilidade, que tem como tema neste ano Somos Todos Pedestres. A iniciativa tem por objetivo ampliar as medidas de segurança para pedestres na cidade. De janeiro a agosto de 2018, o trânsito de São Paulo soma 560 mortes, das quais 246 foram atropelamentos, representando 43% do total.

Além das 12 travessias que foram contempladas agora com o aumento do tempo, outros 21 endereços em corredores da cidade já contam com a mudança. O Programa Pedestre Seguro teve início no ano passado e contempla também a revitalização e ampliação da sinalização horizontal e vertical. Foram alvo desta nova etapa do programa, a Estrada de Itapecerica, as avenidas Raimundo Pereira Magalhães, Senador Teotônio Vilela, Engenheiro Caetano Álvares, Sapopemba e Aricanduva, entre outras.

 A Companhia de Engenharia de Tráfego vai aumentar o tempo de travessia dos semáforos para pedestres para evitar atropelamentos - Rovena Rosa/Agência Brasil

O tempo de retenção do fluxo de carros nos semáforos para que o pedestre atravesse em segurança varia. Na Avenida Corifeu de Azevedo Marques, por exemplo, o tempo de travessia para o pedestre passou de 18 segundos para 22 segundos – um acréscimo de 22%.

Prioridade para pedestre
O médico Alberto Sabbag, diretor da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), avalia que a priorização do pedestre é sempre o melhor caminho para adotar soluções no trânsito de grandes cidades. “Fica sempre o dilema para gerenciar o fluxo. As pessoas querem que o trânsito ande rápido, mas, em todos os cruzamentos e regiões, existe o tráfego de pedestres que é maior que o tráfego de veículos, em número. São milhões de pedestres trafegando”, comparou.

Outra novidade das ações anunciadas pela prefeitura é a implantação do programa Via Segura na Avenida Carlos Caldeira Filho, na zona sul da capital paulista, a partir do dia 5 de novembro. A iniciativa é similar a que foi feita na Avenida M’Boi Mirim e que reduziu o número de mortes na via de 15 para 8 entre julho de 2017 a julho de 2018. Entre as medidas estão, aumento do efetivo de agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego, instalação de novos radares de fiscalização, alterações viárias e de semáforos, além de instalação de faixas e banners com orientações para moradores.

Sabbag destaca que medidas no trânsito são fundamentais, mas que é necessário investir também em educação. “Muitas vezes um motorista para para o pedestre e o motorista que está atrás fica buzinando, como se você fosse culpado da pressa que ele tem. São ações educacionais, tanto para motorista – aí ponho motorista, motociclista, ciclista –, como para o pedestre”, apontou. Ele lembra, por exemplo, as distrações provocadas pelo celular. “O alerta não é só para o motorista, mas os pedestres também andam abusando do uso”, acrescentou.

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Edição: Denise Griesinger


quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Grande São Paulo


Inflação medida pela Fipe em São Paulo alcança 0,41% em agosto
Despesas com habitação e gastos pessoais puxaram alta
Publicado em 04/09/2018 - 18:30
Por Lucas Scatolini * São Paulo




O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) fechou o mês de agosto com avanço de 0,41%, puxado pela alta dos preços no grupo de Habitação e Gastos com Despesa Pessoais. O resultado de agosto revela uma aceleração ainda maior do que o indicador do mês de junho, que fechou em 0,23%. Os dados foram divulgados hoje (4) pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

Segundo os dados divulgados, o avanço foi puxado pelo aumento de gastos com despesas pessoais, ou seja, com recreação e cultura, artigos de higiene, serviços pessoais, além de despesas pessoais diversas com consumo, registrando 1,29% no mês de agosto contra -0,14% em julho.

Os gastos no grupo de habitação, que envolvem desde o aluguel à manutenção dos serviços do domicílio, como gastos com água/esgoto e energia, embora tenha registrado inflação menor em julho (1,12% em agosto contra 1,26% em julho), ainda puxa o aumento no índice de preços de agosto em comparação ao mês de julho.

O aumento nos grupos citados acima compensou uma queda nos grupos relacionados ao consumo de alimentos, que registrou -0,49% no mês de agosto, e nos gastos com transporte, fechando com -0,42% no último mês.

O IPC é divulgado mensalmente pela Fipe, indicando a evolução no custo de vida na capital paulista das famílias que registram renda familiar entre 1 e 10 salários mínimos.
*Estagiário sob a supervisão de Alexssander de Paula Soares

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Edição: Davi Oliveira