Desemprego no Brasil
Taxa de
desemprego volta a crescer depois de duas quedas consecutivas
Com a alta, a
população desocupada passou a 12,7 milhões
Publicado em 27/02/2019 - 09:57
Por Nielmar de
Oliveira - Repórter da Agência Brasil Rio de Janeiro
Influenciada
pela sazonalidade de início do ano, a taxa de desocupação do país voltou a
crescer depois de duas quedas consecutivas e fechou o trimestre móvel encerrado
em janeiro em 12%, resultado 0,3 ponto percentual superior aos 11,7% relativos
ao trimestre encerrado em outubro do ano passado. Com a alta, a população
desocupada passou a 12,7 milhões – crescimento de 2,6% (mais 318 mil pessoas)
frente ao trimestre agosto a outubro de 2018.
Os dados
fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad
Contínua) e foram divulgados hoje (27), pelo Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE). Em relação ao trimestre móvel de novembro de 2017 a
janeiro de 2018 (12,2%), o quadro foi de estabilidade.
A
subutilização da força de trabalho ficou em 24,3% no período, somando 27,5
milhões de pessoas. Na avaliação do coordenador de Trabalho e Rendimento do
IBGE, Cimar Azeredo, a alta foi provocada pela sazonalidade comum a esta época
do ano.
“Com a
entrada do mês de janeiro, houve um aumento da taxa de desocupação. É algo
sazonal, é comum a taxa aumentar nessa época do ano por causa da diminuição da
ocupação, explicou.
Mesmo com
o fator sazonalidade, o coordenador do IBGE destacou o fato de que este
trimestre fechado em janeiro foi “menos favorável” que os mesmos períodos de
2018 e 2017. “Ano passado houve estabilidade na população ocupada e na
desocupada, enquanto, neste ano, cresceu o número de desocupados”.
População ocupada cai
Os dados
da Pnad Contínua indicam que a população ocupada do país fechou o trimestre
encerrado em janeiro deste ano em 92,5 milhões, registrando uma queda de 0,4%
(menos 354 mil pessoas) em relação ao trimestre de agosto a outubro de 2018,
mas cresceu 0,9% (mais 846 mil pessoas) em relação ao trimestre de novembro de
2017 a janeiro de 2018.
A taxa de
subtilização da força de trabalho fechou em 24,3% no trimestre encerrado em
janeiro deste ano, apresentando estabilidade em relação aos 24.1% do trimestre
anterior. Em relação ao mesmo trimestre móvel do ano anterior (23,9%), houve
aumento de 0,4 ponto percentual.
A
população subutilizada ao fechar em 27,5 milhões, ficou estável em relação aos
27,3 milhões do trimestre de agosto a outubro de 2018, embora tenha crescido
2,5% em relação às 26,8 milhões de pessoas que encontravam-se subutilizadas no
mesmo trimestre de 2017 – mais 671 mil pessoas.
Os dados
indicam que o número de pessoas desalentadas (4,7 milhões) ficou estável em
relação ao trimestre agosto a outubro de 2018, mas subiu 6,7% em relação ao
mesmo trimestre móvel do ano anterior (4,4 milhões).
Carteira de Trabalho
Outra
constatação importante relativa à Pnad Contínua diz respeito ao comportamento
do percentual dos trabalhadores com e sem carteira assinada, que ficou estável
em ambas as comparações.
Segundo o
IBGE, o número de empregados no setor privado com carteira assinada (exclusive
trabalhadores domésticos) foi 32,9 milhões de pessoas. Já o número de
empregados sem carteira assinada caiu 2,8% para 11,3 milhões, na comparação com
o trimestre anterior (menos 321 mil pessoas). Em relação ao mesmo trimestre de
2017, no entanto, este percentual subiu 2,9%, um adicional de 320 mil pessoas.
“Tivemos
queda no contingente de empregados do setor privado e no setor público. No
primeiro, isso atingiu, principalmente, os trabalhadores sem carteira assinada.
Apesar disso, a informalidade aumentou ainda mais, com influência do
crescimento dos trabalhadores por conta própria”, diz Cimar.
Por outro
lado, o rendimento médio real habitual do trabalhador, que era de R$ 2.270, no
trimestre encerrado em janeiro, cresceu 1,4% frente ao trimestre anterior,
quando esse valor era de R$ 2.240, e ficou estável em relação ao mesmo
trimestre do ano anterior.
“Houve
aumento significativo no rendimento, mas esse aumento não se traduz em aumento
na massa de rendimento, de R$ 205 bilhões, que se manteve estável, porque
também houve queda na população ocupada. Isso pode ter sido causado por uma
queda na ocupação justamente entre os trabalhadores de remuneração mais baixa,
o que justificaria isso”, conclui Cimar.
Edição: Valéria Aguiar
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